domingo, 5 de fevereiro de 2017

Agora é sobre mim


o lugar onde estive enquanto vivia
a paisagem de mato e flor
quando acordava o cheiro de chá invadia

ao olhar pro céu uma chuva de raio e cor
suspeitava que não só eu dormia
despertava para correr atrás do som

me arrumava para sentir o gosto do vento que vinha
e batia em mim depois de flutuar ao redor
de um mundo que jamais seria cinzento

de uma paixão estendida além do tempo e
do desejo de ser para sempre uma só.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Segura

O que nos segura
É esse fio que sai dos seus olhos
Toda vez que te vejo

Ele chega dançando até os meus
E eu só posso enxergar
O que há de bom em tudo

O que há de presente entre nós
Um fio multicor, uma paz nublada 
De quem ta sonhando

Mas se fecha os olhos pra dormir 
O que nos segura quando teus braços estão enlaçados em mim?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

.

eu que geralmente me contento com pouco
estou pedindo muito
para alguém que não aceita menos

a menos que seja de futuro
a menos que não lhe faça sair 
a menos que seja sobre te colocar ali

eu que geralmente não cobro nada
estou esperando sentada
a menos que alguém me levante.


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Susto

Num salto onde quem mais pulou foi ela.
Uma lagartixa surgiu em cima de mim como se fosse jogada
Por um moleque qualquer

Meu coração na boca denunciava o susto
Mas o medo havia passado
No fim ja era graça. Despertada

Pulei nao so da cama, como do eixo
La estava agora a lagartixa paralisada
E eu gargalhava. Ela tinha medo. 

Me joguei pra fora do quarto 
Como quem quer dar um susto.
Reptiliana. Saí a procura de alguem na cama. 

sábado, 26 de setembro de 2015

/

Odeio. E é pelo simples fato de não se importar.
Não consegue considerar os lados. 

Odeio. E é mais por amar do que qualquer coisa. 
Como seguir depois desse ponto? Final.

Odeio. Cada vez que sinto saudade. 
Conheço a covarde. Ela sou eu. 

Não sei dar fim. Estou entregue. 
Você me lê. Não se enxerga. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Trovão

Amanheci com um raio na minha caixa de entrada. Fiquei na porta. Não me coube. Emails aos montes, qualquer coisa que não é minha ainda. Suas pegadas, minhas palavras derrubadas. Caiu seu raio na minha caixa e eu fiquei aflita, relampejada. Clarão.  Por um segundo, eu vi seu traço. Dava um caminho. Passei um dia de trovoada. Calada. Deixando me molhar. 

Tanto barulho não dá em nada. 

sábado, 5 de abril de 2014

confissão

todo sábado eu brigo comigo mesma. Ficamos chateadas.
a briga é pelo mesmo motivo e no fim eu reconheço a culpa.
ainda assim ficamos estranhas.
a iniciativa sempre fica por minha conta. e vou atrás de mim a todo custo.
nos abraçamos. fico em paz por ainda estar ali. fazemos promessas.

no domingo, eu sou só minha e seguimos o dia cheias de dedos.
o azul do céu nos anima. trocamos segredos íntimos. e eu confesso.
o dia se vai, e no fim estamos apenas nos olhando.

dormimos temendo a segunda.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

mal de mim


descoberta a cura para o mal de mim. 
esse conselho leve, que vem de uma estrada esburacada. 
coisa que precisa de remédio. 

descoberta a mesinha ao lado da cama.
uma caixa enorme de novidades. várias teias de aranha.
copo de água para ajudar a descer.

mal de mim tá nos outros. 
eu tô em outro quarto. coma.

remédio para mal de mim, sempre será eu.






domingo, 31 de março de 2013

dor de pedra


Não se morre de dor de amor. Se morre de dor de pedras no rim.
Aquela pontada desesperadora. A sensação de que é o fim de tudo. Da sua vida, como tambem da vida de todas as outras pessoas. E dos animais.
Não dá pra enxergar o céu quando as pedras te atacam. Tudo é mal. A vaca, o leite e os caretas. Elas não param e é questão de pouco tempo pra você se desligar completamente. E morrer devagar em cima da cama. Sem nenhuma chance de reagir.

Entregue os pontos. As pedras venceram.
Se fosse dor de amor, qualquer um superava.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

caneta infértil

Uma caneta entre os dedos 
parece um cigarro em 
chamas. Um vício 
imcompreendido e um desejo 
que não cessa.
De ser mais que código. A 
alma decifrada.Tempo 
estacionado. Uma herança 
deixada para qualquer 
filho, de qualquer mãe
infértil.