Não se morre de dor de amor. Se morre de dor de pedras no rim.
Aquela pontada desesperadora. A sensação de que é o fim de tudo. Da sua vida, como tambem da vida de todas as outras pessoas. E dos animais.
Não dá pra enxergar o céu quando as pedras te atacam. Tudo é mal. A vaca, o leite e os caretas. Elas não param e é questão de pouco tempo pra você se desligar completamente. E morrer devagar em cima da cama. Sem nenhuma chance de reagir.
Entregue os pontos. As pedras venceram.
Se fosse dor de amor, qualquer um superava.
domingo, 31 de março de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
caneta infértil
Uma caneta entre os dedos
parece um cigarro em
chamas. Um vício
imcompreendido e um desejo
que não cessa.
De ser mais que código. A
alma decifrada.Tempo
estacionado. Uma herança
deixada para qualquer
filho, de qualquer mãe
infértil.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
atirado.
desci os trilhos correndo, como quem vai pegar o trem.
o trem era meus pensamentos avoados com pressa de chegar na próxima parada. enquanto estava com pés agitados, o coração ia aquietando até sentir um sono profundo. pegaram em mim, era ele. e eu voei longe como se fosse pássaro atirado. cheguei morta no chão.
desci da vida correndo, como quem não tem mais pressa de esperar ninguém.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
embarco.
tinha uma ilha de frente pra mim. eu inclinada. passei com pressa. mas aquelas árvores me lembraram um livro. que tinha do outro lado. da minha infância. penso nele volta e meia. meio bobo em letras finas. um livro que não disse nada, só o desenho da capa. dura.
durou na minha cabeça e hoje a ilha voltou. pulou em mim. na minha lembrança. saltei de novo, um pequeno quadro. veio espelho. mostrando o que é meu. descobri que eu sou a ilha. essa viagem rápida. presa num montinho de areia. escrita estranha na página do livro. letra embolada. uma história de onda.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
A caixinha
Deixaram na porta entreaberta uma caixa. Pequena e amarela. Cheia de fitas e nós. Tava cega. Eu guardei pra mim, como se eu tivesse achado meu ouro. Era uma boneca, branca, alva. Preta e branca. Duas coisas. A boneca flor, o ramo de folhas. Eu tava um caco e sentei no chão. Eu deitada. Dona de boneca brincando na casinha.
Boneca mole. Boneca que me segue. O olho ao vento. Boneca minha. Ganhei quando adulta, ganhei sem ter chorado. Viva, faz em mim alegrias de rodopios. Assopros na barriga. Vento de levantar cabelo. Fazendo o amor voar. Amor de caixa de boneca.
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