sexta-feira, 14 de outubro de 2016

o grito

eu poderia extravasar com qualquer grito,
se isso não fosse chamar atenção demais
aquele holofote que dizem que tenho

eu até imaginei meu grito se soltando da garganta
se esbeirando na janela e dispersando em cima do mar.
mergulhada.

eu queria dizer qualquer coisa gritada
e eu sei de tantas coisas que parecem garrafais
mas as letras não servem.

existe um grito meu, perdido
boiando naquela garrafa.
por favor, quebra.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

.

eu que geralmente me contento com pouco
estou pedindo muito
para alguém que não aceita menos

a menos que seja de futuro
a menos que não lhe faça sair 
a menos que seja sobre te colocar ali

eu que geralmente não cobro nada
estou esperando sentada
a menos que alguém me levante.


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Susto

Num salto onde quem mais pulou foi ela.
Uma lagartixa surgiu em cima de mim como se fosse jogada
Por um moleque qualquer

Meu coração na boca denunciava o susto
Mas o medo havia passado
No fim ja era graça. Despertada

Pulei nao so da cama, como do eixo
La estava agora a lagartixa paralisada
E eu gargalhava. Ela tinha medo. 

Me joguei pra fora do quarto 
Como quem quer dar um susto.
Reptiliana. Saí a procura de alguem na cama. 

sábado, 26 de setembro de 2015

/

Odeio. E é pelo simples fato de não se importar.
Não consegue considerar os lados. 

Odeio. E é mais por amar do que qualquer coisa. 
Como seguir depois desse ponto? Final.

Odeio. Cada vez que sinto saudade. 
Conheço a covarde. Ela sou eu. 

Não sei dar fim. Estou entregue. 
Você me lê. Não se enxerga. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

.

na hora de tomar a decisão
não sabia qual pedra guardava
abriu os braços e deixou que rolasse

circulamos,
a terra formva um ninho
ficava presa na estrada
era um sofá macio

acordamos,
eu arregalada palpitando uma sentença
não saia alto
ouvia quem passava

ficou entendido um nada na conversa
o relógio tem pilhas novas
a língua está quadrada

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Trovão

Amanheci com um raio na minha caixa de entrada. Fiquei na porta. Não me coube. Emails aos montes, qualquer coisa que não é minha ainda. Suas pegadas, minhas palavras derrubadas. Caiu seu raio na minha caixa e eu fiquei aflita, relampejada. Clarão.  Por um segundo, eu vi seu traço. Dava um caminho. Passei um dia de trovoada. Calada. Deixando me molhar. 

Tanto barulho não dá em nada. 

sábado, 5 de abril de 2014

confissão

todo sábado eu brigo comigo mesma. Ficamos chateadas.
a briga é pelo mesmo motivo e no fim eu reconheço a culpa.
ainda assim ficamos estranhas.
a iniciativa sempre fica por minha conta. e vou atrás de mim a todo custo.
nos abraçamos. fico em paz por ainda estar ali. fazemos promessas.

no domingo, eu sou só minha e seguimos o dia cheias de dedos.
o azul do céu nos anima. trocamos segredos íntimos. e eu confesso.
o dia se vai, e no fim estamos apenas nos olhando.

dormimos temendo a segunda.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

mal de mim


descoberta a cura para o mal de mim. 
esse conselho leve, que vem de uma estrada esburacada. 
coisa que precisa de remédio. 

descoberta a mesinha ao lado da cama.
uma caixa enorme de novidades. várias teias de aranha.
copo de água para ajudar a descer.

mal de mim tá nos outros. 
eu tô em outro quarto. coma.

remédio para mal de mim, sempre será eu.






domingo, 31 de março de 2013

dor de pedra


Não se morre de dor de amor. Se morre de dor de pedras no rim.
Aquela pontada desesperadora. A sensação de que é o fim de tudo. Da sua vida, como tambem da vida de todas as outras pessoas. E dos animais.
Não dá pra enxergar o céu quando as pedras te atacam. Tudo é mal. A vaca, o leite e os caretas. Elas não param e é questão de pouco tempo pra você se desligar completamente. E morrer devagar em cima da cama. Sem nenhuma chance de reagir.

Entregue os pontos. As pedras venceram.
Se fosse dor de amor, qualquer um superava.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

caneta infértil

Uma caneta entre os dedos 
parece um cigarro em 
chamas. Um vício 
imcompreendido e um desejo 
que não cessa.
De ser mais que código. A 
alma decifrada.Tempo 
estacionado. Uma herança 
deixada para qualquer 
filho, de qualquer mãe
infértil.