sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

emprestado

Essa noite eu tive um sonho. Não soube se era meu ou emprestado.
Nem se prestava. Me prestei a fazer tudo pra não ter volta. 
E lá se foi uma parte de minha noite. Exausta com palavras desconhecidas e gestos que me lembravam.


Olhos fechados pra ver além. Dessa viagem, só a certeza de que precisava de música. Mais alta que diálogos. Fiquei entre soluços pra tentar entender. Nisso foi meu dia todo. 
Outra noite eu vou procurar o dono e devolver o sonho que eu não quero ter. 
Porque eu me empresto, mas nem tudo que volta deve ser meu.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

eu digo.

.como não fazer, se ela me pede como quem não faz questão?
eu cheia de questão na cabeça, do tipo que vai e volta trazendo mais calma do que.
.como parar pra pensar no que é sentimento, se tudo que caminha aqui é fruto do que ela vela. 
tão sensível quanto um sorriso frouxo.  meu sorriso solto gritando aos saltos. 
.quase de assalto fui levada numa noite de sei lá o que. e só pude dizer sim.

.como não, se ela vem em mim como quem não quer nada, e me rapta um beijo além de qualquer outra ideia que tem aqui?

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

[nada]

do nada me vem aquela coisa que se entranha no pensamento 
e parece que ali era sua moradia. Não!
eu me pego em transe comigo e com a vontade de ir onde não é possível.
fazer da força um problema e medir o tema enquanto tiver lá.


na pressa, boba como quem se assusta com a dor que não chega. 
e volta pra tentar encontrar (...)
do nada, esse assalto do meu peito, e eu correndo.
no espaço curto desse corpo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

0, 1...

eu morro pra nascer mais velha.
época da perda em um mundo nebuloso.
é como se eu fosse cega e ninguém me visse.

eu ando num momento de rever.
mas do outro lado tudo passa num estalo violento.
é como se eu estivesse parada e empurrasse alguém.

eu deveria comemorar, porque, além de tudo,
eu ainda tenho a mim, e me entender não é difícil.
é como se eu lesse a carta e pudesse reescrever.

é como se eu recebesse a carta,
toda vez que eu chegasse de viagem.




sábado, 15 de outubro de 2011

passeio

Uma mania antiga
de reconhecer pessoas
antigas

Essa mania de pessoa
que precisa de novidade
pra se sentir

passada. Como quem tem
que correr de um tempo
pra parecer que não

foi banida. De uma coisa
velha, arrastada pela memória
que ninguém tem mais

saudade.