quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Entre...


Entre a claridade do dia e o não-ver da noite, é hora de estar em casa.

Nesse período de pôr-do-sol atrás do Monte, de meia claridade, de meia perfeição, é a hora de meio entendimento da vida. A pressa de se sentir segura em casa. A pressa de se sentir à vontade com o seu jeito. Parece que nessa transição de vida clara para vida misteriosa a cidade fica esquecida pelo sol e está desprotegida até que possamos enxergar as primeiras estrelas, a lua. Ou algum sinal de vida alem da imensa incerteza do céu. Do céu colorido e sem formas em suas nuvens. Ou sem elas. Sem forma sempre.

Nessa transição de magia. Há um movimento de pensamento certo, e há exposição de incertezas nos pensamentos vagos, extensos e complicados. Há uma alegria misturada com um medo. Há o que não sabe: o céu. E há o que já sabe: a noite que vem. E no pensamento do dia que já teve; que já fez um sentimento sem nome, toma todo o corpo e paralisa onde os olhos alcancem o céu e nesse pouco tempo de sem turno é como se abrissem a porta do paraíso e sem saber o que é, mas internalizando o que ele joga pra nós com rapidez, percebemos com suavidade e não compreendemos. Violentamente só sentimos, sem saber. E sem fazer esperar pelo próximo tempo perdido. Com a pressa de estar em casa.

21 comentários:

Mr. Almost disse...

"Nunca sei como é que se pode achar um poente triste.
Só se é por um poente não ser uma madrugada.
Mas se ele é um poente, como é que ele havia de ser uma madrugada?"

Si disse...

Você sempre se superando. O não-ver da noite... Que bela percepção.

Essa transição (dia-noite, sol-lua) também me parece incerteza, quando, na verdade, deveria ser plenitude, já que podemos ter um pouco de duas coisas tão sublimes quase ao mesmo tempo.
Acho que nós não gostamos do quase, do aproximadamente.

Beijos, moça de grande agudeza.

Dgirl disse...

Oi Bonitona!
Sei que sumi e peço desculpas por isso... Mas a cabeça ferve...
Ler seu texto me fez ficar com a sensação de que vc esteja apaixonada ou desiludida... E aí?
Tira dessa curiosidade?
rsrs
Cuide-se morena linda!!!
Moça da cor do pecado... ai ai
Beijosssssss!!!

The Immature Girl disse...

é a hora mágica!!!
a hora vespertina!!!
adoro ela!

Danny disse...

No word´s!
Lindo!

Itaninha disse...

q lindooooo
não só o texto como o momento!

nada como nosso lar né

bjaum migaaa e fica com deus

Larissa Santiago disse...

e o céu de Salvador eh o melhor do mundoooo
\o/
:P
bjoo Cela

Si disse...

E aí, foi para o Bonfim ontem?

A Outra disse...

to viva, viu?
só muito ocupada.
.
.
.
.
.
sempre haverá céu!

bom final de semana.
beijos!!!

Vanessa disse...

Adorei a delicadeza desse texto... Celine, que tem o dom de irradiar alegria aos seus privilegiados amigos, ainda teve a sutileza de entender que no final, todos nós nos encontramos e nos protejemos na segurança das nossas casas, do nosso interior.
Lá fora, na escuridão da noite, o turbilhão de incertezas, aqui dentro, a luz intensa das certezas do que queremos e do que somos verdadeiramente.
Entre a claridade do dia e o não-ver da noite, é hora de estar em casa.(...)
... e ser muito feliz!!!

Tiago Moreira disse...

Gostei muito da foto e do texto, da forma como falaste de Salvador, essa linda cidade que tem nome de homem, mas corpo e alma de uma mulher. Para mim que mexo com geografia, adoro essas impressões líricas sobre as cidades.

Cheguei aqui pelo blog da Si, parabéns pelos escritos, voltarei mais vezes por aqui.

Abraços.

K.(Incompletudes) disse...

que coisa mais linda...... me deixou pensativa!

beijo, minha linda.

cafê disse...

Cel, me manda um email com o número seu de visita "printado" ok? vou fazer uma homenagem! rs (falei pra tu mandar nos 10)

PatSodré disse...

Realmente chegou a hora!!

agora é ação, pressão e coragem!

Tô contigo e não abro. (ponto final)

Daniela disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dani disse...

Nossa que profundo !!!
vc escreve muito bem !!

Isa Dora disse...

ah menina.. q merda de falta de tempo.
eu volto aqui, eu volto.

Cafeína disse...

Cel, indicação pucê lá frô, aparece no bebendo...
bjo

Isa Dora disse...

Poucas coisas eu gosto mais do que um fim de tarde... E nessa hoa eu gosto de estar na rua!

.F Marques disse...

É exatamente como sinto, exatamente como vejo... Uma agonia inevitavel e diária... como se não fosse hora de existir.

Anônimo disse...

Leve...
E ao mesmo tempo cheio de transições e incertezas...

Parece ter sido escrito por alguém que esta vendo e "vivendo" o mundo com olhos diferentes.
E foi.

Há o que não completa.
Mas, há também o que se pode completar.


Um beijo