domingo, 15 de junho de 2008

Não corram atrás de mim.
Por que de galho em galho eu vou mais longe. E não quero saber de pernas antigas pelo mato que eu deixo crescer. As árvores altas, perto do azul são a minha casa, todas elas sem escolher nenhuma. Sem enfeitar nenhuma, sem corta-lhes um galho. Todas me aguentam o peso do pulo e me aconchegam no sono que tenho depois de cantar.

Cada uma me dá uma flor de cor e forma diferente, e meu corpo fica completamente coberto de arranjo natural. Na minha mata eu deixo flores, frutos e grandes árvores. Ficam à vontade para crescer por onde desejarem e me acompanham a cada mergulho, a cada cavada.
Eu escondo caroços duros e procuro esquecer todos e eles me lembram quando me pegam no ar, árvores fortes.
Nas minhas viagens encontro pernas e não as levo comigo para casa, por que na minha mata só entram nus e descalços, na minha mata não pode entrar quem só canta refrões, quem só colhe os frutos.


4 comentários:

Rodrigo Carreiro disse...

O final é a melhor parte.
Parabéns!

PatSodré disse...

Nus de pré-conceitos, os pré-concebidos, pré-moldados, pré-maturos. estão fora!

Para a fruição perfeita apenas os PREsentes, DE CORPO E ALMA!

entro na tua floresta??
=]

amo-te

A Outra disse...

eu não canto refrões.
eu nem sei cantar a música...

bjs!!!

p.s. boa sorte! seja o que for!

Isa Dora disse...

q máximo esse texto. e concordo aí com o patsodré.
creio mesmo que as coisas tem q ser por inteiro, nada de tirar proveito só da parte boa. tem q viver tudo.