sexta-feira, 4 de julho de 2008


De pernas cruzadas, saia folgada e lápis no olho na mesa mais alta do bar. Esperando passar a chuva de verão, em pleno inverno. Pensa em pedir um copo de leite, afinal é segunda de manhã, mas acaba pedindo uma coca cola com limão, sem gelo. Enquanto fuma um cigarro e olha as ondas no mar se enche da vontade que tem em ver as coisas em movimento ao seu redor, como àquelas águas. Caindo, correndo, pulando. Molhando pessoas, chão, telhados, cachorros...Molhando a própria água no reencontro.

Pensou em seu reencontro. Há tempo que saiu do que era e vem trilhando caminhos desejados. E pincela algo em sua identidade a cada dia. Por vontade deixa-se levar. Conhece, descobre, acredita, sofre, esquece. Foi embora mas não rasgou nada. Ainda escreve cartas para si, envia, sente saudades e agradece por a ter deixado, sem choro.


Ainda de pernas cruzadas bebeu mais uma coca. Tragou entre os dedos com unhas sem cor, um cigarro na metade. A água voltando para o mar e as pessoas continuando. Pensou no medo de se tornar chuva e regressar quando pesar nas nuvens, mas largou fumaças e sorriu em lembrar do mar, para onde vão suas cartas, sempre que deseja chorar.


3 comentários:

Daniela disse...

Vai virar livro ??? Se for me avisa que eu compro , alias nao só compro como vou na primeira noite de autografos !!
Vc escreve maravilhosamente bem .
beijos Cléo saudade de vc ...

Isa Mozzer disse...

gostei tanto...

Há tempo que saiu do que era e vem trilhando caminhos desejados.

eu já saí, já voltei... quem sabe eu saia de novo. quero muito...rs

um beijo.

Larissa Santiago disse...

cada vez mais linda!
bjooos te amo