quarta-feira, 13 de outubro de 2010

telhado



E lá se foi caminhando pela estrada de lama. Ia sozinha e descalça. Mas os pés se mantinham limpos. Era incrível.

Não gostava de cores, além das que misturavam no azul. Não gostava do céu à noite. Não gostava da mudança do tempo. Um dia era rápido demais, e a gente percebia a cada hora.
Gostava de se amarrar em lenços que aprendeu a amar. Dizia que não sabia, mas era amor.

Algumas manhãs tentava se jogar com os carros. Na ponta dos dedos, ouvia o sei lá o que, e decidia que o faria mais tarde. Não sabia esperar, nem dizer que precisava.

De coração despedaçado acordava todo dia sem telhado. Vendo o céu azul.

4 comentários:

Franklin Marques disse...

"De coração despedaçado acordava todo dia sem telhado. Vendo o céu azul."
ixe, isso de acordar sem telhado... o céu é uma imensidão, a vida fica como uma ilha.

Ite Ramos disse...

Dá uma tristeeeeeza!!!

PatSodré disse...

É de uma liberdade presa que me apavora. Me reconheço nisso as vezes, mas tenho consciência e vou caminhando diferente.
É bonito essa imagem, essa leitura.
Na verdade, acho que me identifico com vc. rs
AMO!

ana f. disse...

.ludicamente lindo, como tudo que você escreve.


post-scriptum: vamo dar um soco no aldo rebelo?