quinta-feira, 18 de agosto de 2011

potes

Da primeira vez que eu senti saudade, foi como se um pedaço do tempo tivesse sido guardado na caixa esquecida da mudança. Quando eu me lembrei dessa caixa, um raio grande partiu minha cabeça até a ponta do coração.

Sentia a falta disso nas minhas coisas. Em dias de sol, era o tempo de sorrir sem doer o queixo. Em noite de chuva, pedia o tempo de chegar em casa antes de me molhar. Nas tardes de fome, dava tempo de fazer pipoca na panela.

Hoje, toda saudade que tenho divido em potes e espalho pela casa de praia. Cobertas de areia. Se perco um, me coloco a brincar de procurar os outros e nunca estou sozinha. Um sopro de lembrança no pote de saudade e o tempo vem em mim no caminho partido que o raio deixou.

5 comentários:

ana f. disse...

em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada...

reflexão disse...

Que bom que existe a saudade. A boa vivência faz das experiências de vida saudades. E a saudade não tem fim. Pois, quando transformamos experiências de vida em saudades é como fazer da vida algo eterno. E como precisamos de coisas boas e eternas!

Larissa Santiago disse...

essa poesia gritando é linda!

Larissa Santiago disse...

a gente podia fazer alguma coisa junto né? Môblog e MundoVão...

dieGo disse...

Saudade já tem nome de mulher...