domingo, 5 de agosto de 2012

raspão

Fale comigo assim, não. De raspão. Eu tô na corda bamba e uma palavra torta eu caio. Desatine esse nó, que minha garganta pede um laço. Uma fita. Tira de pano engasgado. Outro dia mesmo, eu tava sentada lá na pista. No asfalto quente. Parecia descalça rachando o chão. Implorando aquela água. Você sabe. Fale baixo comigo. Meu silêncio ta rasgando até a roupa. Nessa corda gasta. Estique a minha mão que da queda eu passo. No mesmo raspo. Te agarro. E vamos dois equilibrando. Sem palavras.

2 comentários:

daniayres disse...

Que forte!
"E vamos dois equilibrando."

Snug® disse...

Coisa boa de se ler, cada instante um elemento que prende minha atenção. Bom.